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Amapá, um estado sitiado pelas empresas aéreas

Direto da Coluna de Adilson Garcia

27/09/2021 às 14h48
Por: Dinael Monteiro
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Amapá, um estado sitiado pelas empresas aéreas

O Estado do Amapá é isolado do continente por uma barreira natural, o gigantesco Rio Amazonas. Sofre pela logística difícil porque não há estradas ligando-o ao restante do Brasil. A ponte sobre o rio Jari está paralisada há décadas porque o dinheiro sumiu dentro das cartolas dos Mandrakes da política num passe de mágica. A grana escafedeu-se! Saiu em desabalada carreira tomando rumo ignorado! Rsss. 

O asfaltamento da BR 156 vai acender a 81ª vela de aniversário e é a bisavó de todas as obras do planeta, pois começou em 1940 em plena 2ª guerra mundial.

-Happy birthday, to you!

E não venha botar a culpa nos índios: índio não quer mais apito, índio quer Mitsubishi 4x4, oca de alvenaria com porcelanato polido, energia solar e antena parabólica com tv e internet. Pronto! Tá resolvido! Eles liberam na hora. Rsss.

Os passageiros têm a opção dos barcos de madeira “engravidados de rede” construídos com técnicas defasadas de concepção herdadas do período colonial, que somadas à deficiência das inspeções navais na região Amazônica, ao excesso de carga e à negligência e ganância dos armadores, são fatores que põem em risco a vida dos passageiros.

Na Amazônia as mais elementares regras técnicas de engenharia naval não são observadas nessas caravelas lentas e pesadas feitas nas coxas sem projeto por calafates que mal assinam o nome. Indiscutível que esses mestres da carpintaria naval fazem verdadeiras obras de arte, mas que desafiam as normas de segurança da navegação previstas na Lei Federal 9.537/97 e em tratados internacionais ratificados no Brasil, criando-se um cenário propício à reincidência de tragédias por naufrágio fluvial. 

Nesse quesito macabro, o Amapá figura como o campeão dos campeões. Seus troféus comovem e entristecem a memória de todos, representados pelo maior naufrágio fluvial do Brasil, o barco Novo Amapá (1981, 282 óbitos); barco Cidade de Óbidos (2002, 7 óbitos) e navio Anna Karoline III (2020, 39 óbitos), dentre outros. 

Se vosmecê se sentir injustiçado e quiser protestar, uma forma de manifesto é ir a pé pelo platô das Guianas, dê a volta por Roraima, Manaus, caia na rodovia Transamazônica e depois de 50 dias e 5.962 km você chega em Belém! É sério!  Consulte o Google Maps “prá tu vê”! 

Seria uma peregrinação tipo caminhos de Santiago de Compostela tupiniquim. Mas ao invés de ver tétricos castelos medievais e igrejas seculares de arquitetura gótica no trajeto, você tem a vantagem de ver muita floresta, anacondas, araras coloridas, rios, índios e pobreza prá caramba! Rss.

A outra opção para sair do Amapá é você ir a nado... Ah! Você não sabe nadar? Então faça como Ícaro: implante um par de asas com cera e penas de urubu e vá voando como um pássaro livre nos céus! 

Sim! Aprenda a voar, porque viajar de avião no Amapá, necas! Explico.

O monumental novo terminal do aeroporto internacional de Macapá começou a ser construído em 2005 por R$ 112 milhões. 

Investigações do TCU e a Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal para desbaratar esquemas de corrupção relacionados à contratação de obras públicas do governo federal, detectaram superfaturamento e danos ao erário num valor aproximado de R$ 16,3 milhões. 

Por causa disso, as obras ficaram paralisadas até 2016. Com novos investimentos de R$ 163 milhões, em 2019 ocorreu a inauguração do novo terminal.

Certamente, é o aeroporto elefante branco mais caro do mundo por m2. Dá a impressão para a macacada contribuinte que teria ficado mais barato pagar a propina! Kkk.

A Polícia Federal é muito criativa para dar nome às operações! Invejo a imaginação dela, deve ter um setor só prá isso. Mas essa navalha era cega porque não cortou na carne de ninguém. Não tem um corrupto preso por isso. Agora experimenta roubar um botijão de gás “prá tu vê”?  Rsss.

Digo que o aeroporto é um paquiderme albino porque virou um bibelô de nosotros babacas e a turma dos pançudos hoje usa pra fazer caminhada ao seu redor, nas suas amplas calçadas e gramados lindos. Só serve pra isso, porque viajar de avião no Amapá não dá! É empreitada para poucos ou para aqueles que têm bilhete “GOV”! Rsss. 

Os preços das passagens estão extorsivos, escorchantes, abusivos e pela falta de opção de outros modais, nivela os pobres e os ricos obrigando-os a usar do mesmo transporte aéreo caríssimo, pois o fluvial demora quase 2 dias até Belém e o custo, no frigir dos ovos, também não é essa coca-cola toda, sem contar os riscos e o desconforto.

E as companhias aéreas não refrescam nem para quem precisa se utilizar delas como o melhor hospital daqui (rss), pois os doentes e acompanhantes não têm nenhum desconto para um TFD (tratamento fora do domicílio). Resta aos moribundos sem plano de saúde, sem lenço e sem documento, o macabro destino de serem jogados no chão dos corredores do Pronto-Socorro à própria sorte para agonizarem na lenta e cruel fila de espera da nossa falida saúde estatal.

Recentemente, uma empresa área de colores foi multada pelo Procon por cobrar R$ 4 mil no trecho Macapá/Belém, a mesma empresa que um conhecido senador do Amapá, com seu característico timbre delgado, alardeou ter trazido para cá para baratear as passagens! 

Égua do barateamento! Éééras? Hei, esfrega estrume na minha cara logo que é!

Passaram a cobrar bagagens sob o pretexto de passagens “low cost”! Putz! Eu sabia que iam nos enganar! Ficou impeditivo levar o isopor cheio de açaí “du grusso”, farinha baguda e pirarucu para causar inveja nos conterrâneos. Fizeram foi aumentar o preço das bagagens e baixar os bilhetes que é bom, nem tchum!

E não adianta apelar para os programas de milhagem, porque lá é que tu és roubado mesmo! Trecho que lhe cobravam 10 mil milhas agora sai por 50 mil milhas. Isso sem contar que te mandam lá prá Porto Alegre pra fazer conexão em São Paulo e Brasília e, finalmente, chegar em Belém depois de 2 dias... 

E agora com a desculpa da pandemia da Covid, não lhe dão nem água a bordo!  Rss.

E quando você desce na conexão do Aeroporto de Brasília, é roubado de novo, pois se beber uma garrafinha de água de 200 ml lhe cobram 8 pilas e se pedir uma média de café com leite e uma cestinha de pãezinhos de queijo lhe extorquem 50 pilas sem dó nem piedade (buá, buá...buá)!

Vamos fazer uma comparação. A distância entre Macapá e Belém em linha reta são 329 km. A distância de Maringá a Curitiba são 426 km. 

Fiz uma pesquisa na última sexta-feira (vôo às 17h5min), a passagem Macapá/Belém fica “módicos” R$ 1.498,23 só a perna de ida, com direito a um pit stop em Brasília para ser roubado nas cafeterias depois de 8 horas de vôo! Rss.

O vôo Maringá/Curitiba sai por R$ 385,25 um trecho, também com direito a ser lesado no saguão do aeroporto de Congonhas, onde uma coxinha custa R$ 18,00. 

-Ah, doutor, mas tem recheio de catupiry!

-Ora, me compra um bode velho! Enfia, vai? 

Mas a mim eles não pegam mais, porque eu vou com um kit de sobrevivência aérea (Toddynho, R$ 1,80; pacote de biscoito Negresco, R$ 2,50 e garrafa d’água 500 ml, R$ 1,50) na mochila. E se me afrontarem, levo uma lata com farinha e frango assado! Olho para a cara do engravatado vizinho de poltrona e como todo farofeiro voador educado ofereço: 

-Servido? Nhãããmmmm... (Rss).

Sabem porque lá no sul eles não cobram quase 1.500 pratas por 35 minutos de vôo? Porque lá tem opção dos modais rodoviários e ferroviários. 

Então, aqui no Amapá as companhias aéreas se prevalecem do isolamento geográfico e deitam, rolam e sapateiam. Depois, riem da nossa cara de índio com pau atravessado no nariz... É assim que eles nos veem, chutando jacaré, levando chifrada de búfalo e correndo de onça na rua...

Bem, eu como liberal que sou, aplaudo a economia de mercado e a livre iniciativa, mas isso não significa concordar com práticas abusivas impondo um custo desproporcional a olho nu e horários estapafúrdios “corujados” nas regiões mais distantes, obrigando pernoite e os custos inerentes com táxi, hotel e refeição.

A desculpa de manutenção, combustível, peças, leasings dos equipamentos dolarizados em alta não cola, é puro blá-blá-blá como acima demonstrado no paradigma do Paraná. E a justificativa de “final de rota” é canalhice, porque recebem concessões de linhas aéreas lucrativas em lotes e daí comem o filé, mas não querem roer o osso.

Essas circunstâncias levaram o Procon-AP a notificar as empresas aéreas para justificarem a política de preços que elevaram significativamente as passagens, os remanejamentos sem aviso prévio de vôos causando transtornos de toda sorte e a carência de recursos humanos do check-in e do SAC.

Mas qual a força que o Procon tem nisso? Briga de cachorro grande luluzinho de madame não entra senão apanha mais que mala velha pra perder a poeira... Rsss.

Essa extorsão aérea impune sob as barbas das “otoridades” provoca um exílio turístico porque inibe os turistas afastando-os do Amapá como o diabo foge da cruz, repelindo-os como alho aos vampiros.

Somos reféns do nosso isolamento geográfico e não há comprometimento da classe política que viaja no 0800 à custa do erário. Ou seja, só sabe onde o calo aperta o dono da galocha e do chulé. 

Não sou especialista no assunto aéreo, mas tenho o sacrossanto direito de botar a boca no trombone. A título de sugestão para iniciar o debate poderíamos dar um tratamento fiscal diferenciado para o querosene de aviação no Amapá, até mesmo isenção total, forçando a demanda local ainda que fosse para (re)abastecimento, incentivando o pouso no aeroporto de Macapá para cumprir rotas domésticas e internacionais. Essa rotatividade aumentaria a oferta de vôos e a lei da oferta e procura pressionaria para baixo os preços das passagens.

Ou que tal abrir o mercado para as empresas estrangeiras e acabar com esse monopólio doméstico trino, essa curiosa espécie de jabuticaba dos ares que só existe no Brasil.

Porque é evidente que a lei de mercado preconizada por Adam Smith explica em parte essa alta, aliada à sanha argentária e ao oportunismo do empresariado alado, a quem um pouco de vergonha na cara e respeito pelo consumidor fariam bem, como canja de galinha...

Após a clausura forçada pela pandemia (“fiquem em casa, a economia a gente vê depois”, carvalho!), há uma nítida retomada do setor turístico interno e alta taxa de ocupação dos vôos (75% em julho) e aumento das reservas de hotéis. O turista brasileiro está viajando dentro do Brasil e aprendendo a apreciar nossas maravilhas meio que forçado por causa das barreiras sanitárias internacionais e o dólar e euro a preços estratosféricos.

Mas mesmo assim sai mais barato ir à Flórida se deslumbrar com as vitrines das lojas de grife de Boca Raton e Miami e ser discriminado por ser latino ou ir a Paris tomar champagne “sur l’avenue des Champs-Élyseés, la plus belle avenue du monde” e apreciar o mau humor francês.
Au revoir!

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Adilson Garcia
Adilson Garcia
Sobre Adilson Garcia Professor, doutor em Direito pela PUC--SP, advogado e promotor de justiça aposentado.
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