
O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose (açúcar) no sangue. Isso acontece quando o organismo produz pouca insulina, não a produz ou não consegue utilizá-la de forma eficiente.
A insulina é um hormônio que ajuda a glicose dos alimentos a entrar nas células para ser utilizada como energia. Com o tempo, o diabetes não controlado pode causar danos graves ao coração, nervos, olhos e rins.
Existem dois tipos de diabetes. O tipo 1 (ou DM1) é uma doença autoimune na qual as células do pâncreas são destruídas e a pessoa passa a não produzir insulina. Já no tipo 2 (ou DM2), a produção de insulina é insuficiente.
Quando se pensa em alimentação nos casos de diabetes, pode-se dizer que a maior atenção estará voltada ao consumo dos carboidratos (pães, massas, cereais, farinhas, doces e até frutas). No entanto, diferente do que muita gente pensa, não há uma recomendação de se excluir ou reduzir drasticamente esse nutriente da alimentação, mas, sim, buscar as melhores opções e ter um equilíbrio entre todos os grupos alimentares (fontes de carboidratos, proteínas, gorduras e fibras, vitaminas e minerais).
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) traz em suas diretrizes que “a orientação nutricional para o DM2 deve ter como base a alimentação variada e equilibrada. Os objetivos da terapia nutricional são atender às necessidades diárias, atingir metas glicêmicas, obtenção e manutenção do peso saudável, contribuir para o controle da pressão arterial e dos lípidos séricos (gorduras presentes no sangue, como colesterol [Total, LDL, HDL] e triglicerídeos), atuando na prevenção das complicações micro e macrovasculares associadas ao DM2”. Ou seja, para a pessoa com diabetes tipo 2, a alimentação saudável e equilibrada é semelhante à recomendada para a população em geral.
A grande diferença em relação ao diabetes tipo 1 é que, por não produzir a insulina, o paciente terá que realizar um tratamento contínuo de insulinoterapia, sendo que o hormônio deverá ser aplicado antes das refeições para que a absorção dos carboidratos aconteça adequadamente. O paciente pode, ainda, trabalhar com a contagem de carboidratos, que é uma estratégia na qual se aplica a quantidade de insulina necessária, de acordo com o que foi consumido. Em linhas gerais, a recomendação é a de uma alimentação saudável e equilibrada também para esses indivíduos.
Não existe uma estratégia alimentar única. O essencial é incentivar a perda de peso estruturada em um plano alimentar saudável, com redução de calorias e de gorduras saturadas, e aumento da ingestão de fibras, associados à prática de atividade física.
Além de apenas controlar a glicemia, a recomendação de manter o peso saudável também está associada à redução de complicações cardíacas, renais, neuropatias e retinopatias. Portanto, para pacientes com obesidade ou sobrepeso, recomenda-se a redução de, no mínimo, 5% do peso corporal. A obesidade está associada a piores desfechos relacionados ao diabetes, à piora do controle glicêmico e à maior mortalidade.
Estudos que compararam nove diferentes estratégias dietéticas (dieta de baixa gordura, dieta vegetariana, dieta mediterrânea, dieta hiperproteica, dieta com restrição moderada de carboidratos, dieta com baixo conteúdo de carboidratos, dieta de baixo índice glicêmico, dieta paleolítica e dieta controle) mostraram que todas as abordagens conseguiram reduzir significativamente a hemoglobina glicada (HbA1c) - proteína nos glóbulos vermelhos que se liga à glicose (açúcar) no sangue, bem como a glicemia de jejum - medição do nível de açúcar (glicose) no sangue após um período de jejum (geralmente 8 a 12 horas). Mas a dieta mediterrânea foi considerada a mais efetiva para melhorar o controle glicêmico no DM2.
Veja as recomendações de acordo com os grupos alimentares: