
O Amapá aparece entre os estados brasileiros que mais se aproximaram do investimento considerado ideal por estudante da rede pública de ensino entre 2021 e 2025. Segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o estado alcançou 77% do valor de referência estabelecido pelo Custo Aluno Qualidade (CAQ).
O resultado coloca o Amapá em posição de destaque no cenário nacional. O percentual é semelhante ao registrado por São Paulo, que também alcançou 77% do parâmetro, e superior ao do Acre, que chegou a 74%.
Apesar do desempenho relativamente melhor, os dados mostram que o Amapá ainda não atingiu o nível de investimento considerado necessário para assegurar condições adequadas de ensino, conforme os critérios utilizados pelo estudo.
O Custo Aluno Qualidade é um indicador utilizado para estimar quanto deveria ser investido anualmente por estudante para garantir uma estrutura educacional considerada adequada.
O cálculo busca considerar as necessidades para o funcionamento das escolas e a oferta de condições mínimas de qualidade no ensino público.
Ao comparar o investimento efetivamente realizado pelas redes estaduais com esse parâmetro, o estudo permite identificar a distância existente entre os recursos aplicados e aquilo que seria necessário para atingir o padrão estabelecido.
Na estimativa considerada mais realista pelo Inesc, apenas o Distrito Federal ultrapassou o valor de referência. O DF investiu aproximadamente R$ 16 mil por matrícula ao ano, diante de um parâmetro de R$ 10 mil.
Entre os estados, porém, o Amapá aparece entre aqueles com menor distância em relação ao valor considerado ideal.
São Paulo apresentou investimento equivalente a 77% do seu CAQ, mesma proporção registrada pelo Amapá. Já o Acre alcançou 74%.
O resultado coloca os três estados em situação relativamente melhor do que grande parte do país.
O levantamento mostra que existem grandes desigualdades no financiamento da educação pública entre as unidades da Federação.
O Maranhão apresentou o menor gasto médio proporcional ao parâmetro estabelecido pelo estudo. O estado investiu cerca de R$ 2,8 mil por estudante, equivalente a aproximadamente 22% dos R$ 12,6 mil considerados necessários.
Alagoas alcançou cerca de 25% de sua referência, enquanto o Ceará chegou a 28%.
No Piauí, onde o Custo Aluno Qualidade foi estimado em R$ 15,5 mil por estudante ao ano — o maior valor de referência identificado pelo levantamento —, o investimento médio ficou em aproximadamente R$ 3,7 mil.
Embora o Amapá esteja entre os estados que mais se aproximaram do valor considerado adequado, o percentual de 77% indica que ainda existe uma diferença de 23% em relação ao parâmetro estabelecido pelo estudo.
O dado evidencia que o estado apresenta desempenho proporcional superior ao de grande parte do país, mas ainda enfrenta o desafio de ampliar os investimentos para alcançar integralmente o padrão calculado pelo Inesc.
O levantamento considera dados do período entre 2021 e 2025 e reforça o debate sobre financiamento da educação pública, infraestrutura escolar e as condições necessárias para garantir ensino de qualidade aos estudantes.
Em um cenário nacional marcado por diferenças expressivas entre os estados, o resultado coloca o Amapá entre as unidades da Federação mais próximas do investimento considerado ideal por aluno, ao mesmo tempo em que aponta espaço para novos avanços na política educacional.