
HPV é a sigla para Papilomavírus Humano, um grupo de vírus muito comum que pode infectar a pele e as mucosas, como a região genital, anal e da garganta. A maioria das pessoas terá contato com o HPV em algum momento da vida. Na maior parte dos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, antes de causar problemas.
Existem mais de 200 tipos de HPV identificados, sendo que cerca de 40 deles podem infectar a região genital. Eles são divididos em tipos de baixo e de alto risco para câncer. Os tipos 16 e 18 são os mais preocupantes, pois estão associados à maioria dos casos de câncer relacionados ao HPV, especialmente o câncer do colo do útero.
Os tipos de baixo risco costumam causar verrugas na pele ou na região genital e, em geral, não estão associados ao desenvolvimento de câncer. Já os tipos de alto risco podem provocar alterações nas células que, ao longo dos anos, podem evoluir para um tumor se não forem identificadas e tratadas adequadamente.
O câncer não surge imediatamente após a infecção. Em alguns casos, o vírus permanece no organismo por muitos anos, como uma infecção persistente, e consegue alterar o funcionamento normal das células.
Essas alterações podem se acumular progressivamente até levar ao desenvolvimento de um tumor. É importante destacar que apenas uma pequena parcela das pessoas infectadas por HPV de alto risco desenvolverá câncer.
Na maioria dos casos, a evolução é lenta e pode levar dez anos ou mais para se manifestar. Esse é um dos motivos pelos quais os exames preventivos são tão importantes: eles permitem identificar lesões precursoras antes que o câncer apareça.
Na maioria das vezes, a infecção pelo HPV não causa sintomas. Por isso, muitas pessoas só descobrem sua presença por meio de exames preventivos. O principal exame de rastreamento para mulheres continua sendo o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau.
Atualmente, o teste molecular para HPV também vem ganhando espaço por ser mais sensível para detectar os tipos de alto risco. Sua coleta é muito rápida e semelhante à do Papanicolau.
Quando há alterações nos exames, pode ser necessária a realização de colposcopia e biópsia para avaliação mais detalhada. Em outras regiões do corpo, como ânus ou orofaringe, os exames são indicados em situações específicas e para grupos selecionados.
Muitas infecções por HPV de alto risco desaparecem espontaneamente graças à ação do sistema imunológico. Mesmo quando surgem lesões precursoras, o diagnóstico precoce permite tratamento antes da evolução para câncer, com altas taxas de cura.
Não existe um medicamento capaz de eliminar diretamente o vírus do organismo. O tratamento é direcionado às lesões causadas pelo HPV, como verrugas ou alterações pré-cancerosas. Dependendo do caso, podem ser utilizados medicamentos tópicos, cauterização, laser ou pequenos procedimentos cirúrgicos para remover as lesões.
Se o paciente tem um câncer derivado do HPV, o tratamento depende do tipo de câncer, da localização e do estágio da doença. As principais opções incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia.
A principal forma de prevenção é a vacinação. As vacinas contra HPV são seguras, eficazes e capazes de prevenir a maioria dos casos de câncer relacionados ao vírus. Além da vacinação, o uso de preservativo ajuda a reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção completa, já que o HPV pode infectar áreas não cobertas pela camisinha.
Outro ponto importante é combater o estigma. O HPV é extremamente comum e sua presença não deve ser motivo de vergonha. A informação, a vacinação e os exames preventivos são as ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto desse vírus na saúde da população.
É importante frisar que o HPV está relacionado não apenas ao câncer do colo do útero, mas também a tumores de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe.