
A Petrobras atingiu na sexta-feira (2) o maior valor de mercado de sua história. A companhia encerrou o pregão da B3 avaliada em R$ 700,08 bilhões, superando pela primeira vez a marca dos R$ 700 bilhões. Segundo a própria estatal, o avanço foi impulsionado pelo anúncio de uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá.
Somente na sexta-feira, a Petrobras acrescentou R$ 20,9 bilhões ao seu valor de mercado. As ações preferenciais avançaram 2,81%, enquanto os papéis ordinários tiveram valorização de 3,25%, mesmo com estabilidade do preço internacional do petróleo Brent naquele dia.
A descoberta ocorreu no poço exploratório Morpho, identificado como 1-BRSA-1405-APS, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O poço está a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região de águas ultraprofundas com lâmina d'água de 2.886 metros.
Esta é a segunda descoberta realizada no Morpho em 2026. Em agosto, a Petrobras já havia identificado a presença de hidrocarbonetos no mesmo bloco. A nova ocorrência amplia os dados disponíveis sobre o sistema petrolífero da região e reforça o interesse exploratório na Margem Equatorial.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a qualidade do óleo encontrado chamou a atenção da companhia. Durante entrevista coletiva realizada após o anúncio, ela comparou favoravelmente o petróleo encontrado no Amapá ao produzido em Urucu, no Amazonas.
A região da Margem Equatorial vem sendo tratada pela Petrobras como uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo do país. O bloco FZA-M-59 recebeu licença do Ibama em outubro de 2025 para a perfuração de um poço exploratório em águas profundas do Amapá.
A operação ocorre em alto-mar e, segundo a Petrobras, o poço está a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
A descoberta ainda não significa, por si só, que o local entrará em produção comercial. A Petrobras precisa concluir as análises geológicas, avaliar o tamanho e a qualidade dos reservatórios e avançar nas demais etapas técnicas antes de uma eventual decisão de desenvolvimento da área.
O novo recorde de valor de mercado ocorre em um ano de crescimento da produção da companhia. Segundo a Petrobras, a média de produção de petróleo passou de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia no primeiro trimestre para quase 3 milhões de barris diários em setembro.
Antes de superar os R$ 700 bilhões, a estatal já havia registrado outros três recordes de valor de mercado em 2026: R$ 677,24 bilhões em 30 de março; R$ 680,10 bilhões em 14 de abril; e R$ 692,35 bilhões em 15 de setembro.
De janeiro a setembro, a Petrobras também informou uma geração de valor de cerca de 185% em dólares, cálculo que considera a valorização de mercado somada aos dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos no período. Segundo a companhia, o desempenho ficou acima de grandes empresas internacionais do setor, como Chevron, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e BP.
Para o Amapá, a nova descoberta coloca novamente a costa do estado no centro das discussões nacionais sobre o futuro da exploração de petróleo na Margem Equatorial e sobre seus possíveis impactos econômicos, ambientais e sociais.
Folha do Amapá
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